quinta-feira, 17 de maio de 2012

Primeira Manhã - Dalcídio Jurandir

Dalcídio Jurandir
Dalcídio Jurandir nasceu na Vila de Ponta de Pedras, Ilha do Marajó (PA), em 10 de janeiro de 1909, filho de Alfredo Pereira e Margarida Ramos. Em 1910 mudou-se para Vila de Cachoeira, na mesma ilha. Ali passou sua infância, aprendendo com sua mãe as primeiras palavras.
Em 1916, passou a freqüentar a Escola Mista Estadual. Fez o curso primário do Professor Francisco Leão, em 1921. No ano seguinte, partiu para Belém, onde se matriculou no 3º ano elementar do Grupo Escolar Barão do Rio Branco.
Obtém o certificado de estudos primários, em 1924. Matricula-se, no ano seguinte, no Ginásio Paes de Carvalho. Antes de completar o segundo ano, em 1927, cancelou sua matrícula e viajou para o Rio de Janeiro (RJ), a bordo do navio do Loide, Duque de Caxias, em 1928.
No Rio, enfrentou dificuldades ao chegar. Foi lavador de pratos no Café e Restaurante São Silvestre, no bairro da Saúde. Conseguiu, após um breve tempo, o lugar de revisor na revista "Fon-Fon", onde colaborou sem remuneração. Voltou a Belém no mesmo navio, tendo aproveitado a viagem para ler livros de clássicos portugueses e de poetas nacionais, que lhe foram emprestados por seu amigo, Dr. Raynero Maroja.
Em 1929, Dr. Raynero, como Intendente Municipal de Gurupá, no Baixo Amazonas, nomeou-o Secretário Tesoureiro da Intendência Municipal. Segue para Gurupá em outubro. Lá escreveu a primeira versão de "Chove nos campos de Cachoeira".
Em novembro de 1930, deixou o cargo para trabalhar na região das Ilhas, município de Gurupá, às margens do rio Baquiá, de propriedade de Pais Barreto, que se tornara seu amigo e ensinara as primeiras letras a seus dois filhos.
Em 1931, conclui um livro de contos e um romance, nos quais narra lembranças da infância em Marajó. Fez versos e descreveu paisagens. Retornou a Belém, sendo nomeado auxiliar de gabinete da Interventoria do Estado. Colaborou com vários jornais e revistas, como “O Imparcial”, “Crítica” e “Estado do Pará” e, no ano seguinte, na “Guajaramirim” e “A Semana”. Comunista assumido participou ativamente do movimento da Aliança Nacional Libertadora. Foi preso em 1935, tendo ficado dois meses no cárcere.
Em 1937, foi preso novamente e ficou três meses detido. Somente em 1938 retornou a Marajó, reassumindo suas funções na Diretoria de Educação e Ensino, tendo sido designado a exercer a comissão de Inspetor Escolar em Salvaterra. Reescreve o livro “Chove nos campos de Cachoeira” e, também, concluiu seu segundo romance, “Marinatambalo”, publicado sob o título de Marajó. Colabora nas revistas “Terra Imatura” e “Pará Ilustrado”.
Em 1940, foi agraciado com o Prêmio Dom Casmurro de Literatura, concedido pelo jornal de mesmo nome e pela Editora Vecchi, com o romance "Chove nos Campos de Cachoeira". Faziam parte do júri, entre outros, Oswald de Andrade, Jorge Amado, Rachel de Queiroz e Álvaro Moreira.
Voltou ao Rio de Janeiro, em 1941, onde seu livro premiado foi lançado. Retorna a Belém e passou a trabalhar na Delegacia de Recenseamento. No final do ano viajou para o Rio de Janeiro, onde passou a exercer, em 1942, intensa atividade jornalística em “O Radical” e “Diretrizes”, sendo que neste último atuava como redator, repórter e colunista.
Em 1944, fechado o semanário “Diretrizes”, passou a redigir textos publicitários e legendas para filmes de educação sanitária no Serviço Especial de Saúde Pública – SESP. Colabora com o “Diário de Notícias”, no “Correio da Manhã” e na revista “Leitura”.
Em 1945 e 1946, fez parte da redação do jornal “Tribuna Popular” e colaborou nos jornais “O Jornal”, “A classe operária” e na revista “O Cruzeiro”.
No ano seguinte, seu livro “Marajó” foi editado pela Livraria José Olympio Editora.
Pela "Imprensa Popular", em 1950, foi ao Rio Grande do Sul fazer uma pesquisa acerca do movimento operário do porto do Rio Grande. Desse trabalho surgiu seu livro “Linha do Parque”, escrito entre 1951 e 1955.
Viajou a União Soviética, em 1952.
Foi ao Chile, em 1953, onde participou do Congresso Continental de Cultura.
Em 1956, no seminário “Para Todos”, trabalhou ao lado de Jorge Amado, como redator.
Lança pela Livraria Martins Editora, seu terceiro romance: “Três casas e um rio”, em 1958.
Publica, em 1959, o romance “Linha do Parque”, pela Editora Vitória.
No ano seguinte, publica “Belém do Grão Pará”, pela Livraria Martins Editora. Recebeu o Prêmio Paula Brito, da Biblioteca do Estado da Guanabara, e o Prêmio Luiz Cláudio de Souza, criado pelo Pen Club do Brasil.
A edição russa do romance “Linha do Parque” é lançada em Moscou no ano de 1962, com apresentação de Jorge Amado.
Publica, em 1963, “Passagem dos inocentes”, pela Livraria Martins Editora.
Termina de escrever “Os habitantes”, em 1967.
Em 1968, lança pela Livraria Martins Editora, “Primeira manhã”, e conclui “Chão de Lobos”, penúltimo romance da série “Extremo-Norte”.
O último romance da série acima citada, “Ribanceira”, é concluído em 1970.
Pela Livraria Martins Editora publica, em 1971, o romance “Ponte do Galo”. Aposentou-se, como escritor.
Em 1972, a Academia Brasileira de Letras concede ao autor o Prêmio Machado de Assis de Literatura, pelo conjunto de sua obra, que lhe foi entregue por Jorge Amado.
Recebe, em 1974, do Governo do Estado do Pará, o título honorífico de “Honra ao Mérito”.
A segunda edição de seu romance “Chove nos campos de Cachoeira” é lançada em 1976 pela Livraria Editora Cátedra. “Os habitantes” é publicado pela Editora Artenova. Lançou, também, pela Record, o livro “Chão dos lobos”. Fez diversas viagens a nações da América do Sul e a países socialistas e europeus.
“Ribanceira” foi publicado, pela Record, em 1978, e, no ano seguinte, a segunda edição de “Marajó”, pela Cátedra.
No dia 16 de junho de 1979, o escritor falece na cidade do Rio de Janeiro (RJ), sendo sepultado no Cemitério de São João Batista.
A prefeitura de Belém homenageia o autor, dando seu nome a uma praça pública naquela cidade.
O prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Dr. Israel Klabin, dá seu nome a uma rua no Condomínio Riviera dei Fiori, na Barra da Tijuca.
Em Ponta de Pedras, sua cidade natal, há uma escola com seu nome.
Em 2001 concorre com demais personalidades ao título de "Paraense do Século". No mesmo ano, em novembro, é realizado o Colóquio Dalcídio Jurandir, homenagem aos 60 anos da primeira publicação de Chove nos Campos de Cachoeira.
Em 2003, foi criado o Instituto Dalcídio Jurandir, na Casa de Rui Barbosa, na cidade do Rio de Janeiro. O Instituto foi idealizado pelo Professor Ruy Pinto Pereira, que é seu presidente. Na ocasião, todo o acervo do autor foi doado por seus filhos — Margarida e José Roberto — para o Arquivo–Museu de Literatura Brasileira daquela Casa.
Em 2004, Dalcídio foi o patrono da VIII Feira Pan-Amazônica do Livro, ocorrida entre 17 e 26 de setembro daquele ano.

Primeira Manhã
Já em Primeira manhã, uma longa descida será acompanhada por Alfredo quase por acaso, ao encontrar, em um passeio noturno, duas vizinhas que se dirigiam à caça dos maridos, tentando confirmar traições que eles teriam cometido. Nesse longo episódio, o que acontece no decorrer é mais importante do que propriamente o desfecho, longamente mantido em suspense, retardado por um rememorar entre divertido e amargo da vida das duas mulheres, especialmente D. Abigail, a mais falante delas. Dessa forma, a trajetória em busca dos maridos traidores também se converte em desabafo com o quase desconhecido que as acompanha nesse percurso de descida: “À proporção que elas acusavam, iam se tornando vencidas, sem razão, nem esperança, enlaçadas na sedução da viagem e do que a noite consentia.” 34 Durante o trajeto, o narrador menciona, a certa altura, a natureza descendente dessa empresa, associada à noite, aos ruídos desconhecidos e agourentos, ou seja, ao rumo infernal do percurso empreendido por esses três solitários: “Na busca do marido, D. Abigail ia também desesperadamente curiosa dos infernos onde ele fumegava, e das rivais, não ciumenta, mas invejosa.” 35 Aí aparece, com toda a ambivalência, o significado da associação dos prostíbulos a “inferninhos” e se demonstra que a ida até lá, se é penosa e sofrida para mulheres que se sentem traídas, também contém certa dose de curiosidade e mistério pelo que o lugar possa apresentar em sua configuração ou por suas habitantes, especialmente se são ambientes interditos para mulheres casadas. Na ocasião, não é de se estranhar, como faz a amiga Ivânia, que D. Abigail fale demais sobre suas vidas, pois, nessa descida, também ocorre uma espécie de descenso social, pelo menos um momentâneo romper de fronteiras, ao abrigo da noite; e as duas mulheres deixam de ser aquelas que são “casadas da cabeça aos pés”, como afirmara o narrador anteriormente, e se transformam em pessoas comuns, desabafando sobre o que se passa na intimidade de suas casas. No entanto, a cena termina abruptamente para Alfredo sem que o leitor saiba o desfecho da busca, pois as duas o deixam para trás sem explicação, deixando entrever que caberia apenas a elas cumprirem aquela descida até o fim, mais sombria ainda pela associação com o mundo noturno, povoado de sombras e ruídos sinistros. Nesse mesmo romance, ainda há a longa descida da sempre ausente e tão presente Luciana, que tem de cumprir uma longa e dolorosa via crucis pela suspeita de ter dado “um mau passo”, significativamente libertada da prisão que os pais lhe impuseram por um raio: da associação com a intervenção divina para redimi-la da injustiça que se estava cometendo é um passo. Se, por um lado, ela só aparece no romance por meio do discurso dos outros personagens, sua presença está sempre se renovando graças à obsessão que Alfredo desenvolve por ela, o que o faz buscá-la em vários lugares da cidade, perguntando a todos que possam dar alguma informação sobre a moça amaldiçoada pelos pais. De certa maneira, Alfredo também a acompanha em sua maldição e descida, pela obsessão e pela busca que realiza incomodado por ter à sua disposição a casa da qual Luciana fora expulsa, num paralelo entre a trajetória dessa personagem e a sua própria, humilhado que fora pelos colegas do Ginásio: 36 Agora, esta casa à disposição do estudante que fugiu do estudo, à disposição do ginasiano pelo Ginásio escorraçado. Nesta casa, feita para a predileta vir morar. A anônima corre as ruas da Babilônia, moendo a sua farinha, passa os rios, não mais a tenra nem a delicada.
A desabençoada nunca há de pôr o pé neste soalho, nunca há de ver o mundo
debruçada desta janela.
“Desabençoada” pelos pais, Luciana perdera o lugar que agora é ocupado por Alfredo e este junta mais esta obsessão às suas tantas outras buscas.

Resumo e Elementos da Narrativa elaborados pelo professor Lanirson Cabral da Silva

“Primeira manhã”:
Resumo:
O Romance “Primeira Manhã", de Dalcídio Jurandir enfatiza a chegada de Alfredo, protagonista dos romances do Ciclo de Extremo Norte, no Liceu, p primeiro dia de aula, os desencantos com a escola e, com isto, reflete sobre educação formal. A literatura além de fruição, sua função primeira, se ocupa em retratar as mazelas humanas.
        Em Primeira Manhã, uma longa descida será acompanhada por Alfredo quase por acaso, ao encontrar, em um passeio noturno, duas vizinhas que se dirigiam à caça dos maridos, tentando confirmar traições que eles teriam cometido.
  Nesse longo episódio, o que acontece no decorrer é mais importante do que propriamente o desfecho, longamente mantido em suspense, retardado por um rememorar entre divertido e amargo da vida das duas mulheres, especialmente, especialmente D. Abigail, a mais falante delas. Dessa forma, a trajetória em busca dos maridos traidores também se converte em desabafo com o quase desconhecido que as acompanha nesse percurso de descida: “À proporção que elas acusavam, iam se tornando vencidas, sem razão, nem esperança, enlaçadas na sedução da viagem e do que a noite consentia". Durante o trajeto, o narrador menciona, a certa altura, a natureza descendente dessa empresa, associada à noite, aos ruídos desconhecidos e agourentos, ou seja, ao rumo infernal do percurso empreendido por esses três solitários: "Na busca do marido, D. Abigail ia também desesperadamente curiosa dos infernos onde ele fumegava, e das rivais, não ciumenta, mas invejosa. "Aí aparece, com toda ambivalência, o significado da associação dos prostíbulos e "inferninhos" e se demonstra que a ida até lá, se é penosa e sofrida para mulheres que se sentem traídas, também contém certa dose de curiosidade e mistério pelo que o lugar possa apresentar em sua configuração ou por suas habitantes, especialmente se são ambientes interditos para mulheres casadas.
   Na ocasião, não é de se estranhar, como faz a amiga Ivânia, que D. Abigail fale demais sobre suas vidas, pois, nessa descida, também ocorre uma espécie de descenso social, pelo menos um momentâneo romper de fronteiras, ao abrigo da noite; e as duas mulheres deixam de ser aquelas que são "casadas da cabeça aos pés", como afirmara o narrador anteriormente, e se transformam em pessoas comuns, desabafando sobre o que se passa na intimidade de suas casas.
    No entanto, a cena termina abruptamente para Alfredo sem que o leitor saiba o desfecho da busca, pois as duas o deixam para trás sem explicação, deixando entrever que caberia apenas a elas cumprirem aquela descida até o fim, mais sombria ainda pela associação com o mundo noturno, povoado de sombras e ruídos sinistros.
    Nesse mesmo romance, ainda há a longa descida da sempre ausente e tão presente Luciana, que tem de cumprir uma longa e dolorosa via crucis pela suspeita de ter dado “um mau passo”, significativamente libertada da prisão que os pais lhe impuseram por um raio: da associação com a intervenção divina para redimi-la da injustiça que se estava cometendo é um passo. Se,por um lado,ela só aparece no romance por meio do discurso dos outros personagens, sua presença está sempre se renovando graças à obsessão que Alfredo desenvolve por ela, o que o faz buscá-la em vários lugares da cidade, perguntando a todos que possam dar alguma informação sobre a moça amaldiçoada pelos pais.De certa maneira, Alfredo também a acompanha em sua maldição e descida, pela obsessão e pela busca que realiza, incomodado por ter à sua disposição a casa da qual Luciana fora expulsa, num paralelo entre a trajetória dessa personagem e a sua própria, humilhado que fora pelos colegas do Ginásio: Agora,esta  casa à disposição do estudante que fugiu do estudo, à disposição do ginasiano pelo Ginásio escorraçado. Nesta casa, feita para a predileta vir morar. A anônima corre as ruas da Babilônia,moendo a sua farinha, passa os rios, não mais a tenra nem a delicada.
    [...]A desabençoada nunca há de pôr o pé neste soalho, nunca há de ver o mundo debruçada desta janela. "Desabençoada" pelos pais, Luciana perdera o lugar que agora é ocupado por Alfredo e este junta mais esta obsessão às suas tantas outras buscas.


   ELEMENTOS NARRATIVOS DO ROMANCE PRIMEIRA MANHÃ
  Personagens: Principal: Alfredo/ Secundários: Luciana, D. Abigail, Ivânia
  Tempo: Cronológico ( pós-ciclo da borracha e da Belle Epóque)
  Enredo Linear
  Narrador: Onisciente e onipresente/ Espaço: Físico: Belém-Pará / Social: Valores interioranos, familiares educacionais, morais, sociais, memorialistas e sociais
  Tipificação: Oitavo Romance do Ciclo Extremo Norte
  Temática:- Os dissabores diante da educação e da decadência de uma cidade ( Belém); As expectativas frustradas de um estudante em primeiro dia de aula; As experiências de um jovem num liceu
   


 Lanirson Cabral da Silva é professor, desde 1981, formado em Licenciatura em letras pela Universidade do Pará, Pós - graduado em Ensino da Literatura Luso-Brasileira pela Universidade do estado do Pará (UEPA), com diversos estudos sobre literatura publicados em revistas e editoriais. Ministrou aulas em várias escolas do Estado e Particulares, hoje, dedica seus conhecimentos ao Grupo Educacional Ideal, onde é professor desde 1994. Poeta, escritor e compositor, com várias canções conhecidas, participações em festivais de música pelo Estado do Pará e fora dele, seminários, encontros e palestras sobre a arte literária. 

5 comentários:

  1. Poxa, vc não sabe o quanto me ajudou esse post...

    Valeu mesmo! \o/

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  2. Muito interessante.Confesso que até então eu não conhecia esse brilhante escritor.Um fato que chamou muito minha atenção,foi saber que ele foi inspetor escolar em Salvaterra,no Marajó,terra onde meu pai nasceu.Com certeza isso é motivo de orgulho para nós paraenses,que ao tomar conhecimento da existência de tal personalidade,abrilhanta ainda mais nosso conhecimento,diagnosticando o aperfeiçoamento de nossa cultura.

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  3. É uma honra saber que tão ilustre figura é paraense e que teve sua trajetória abrilhantada com passagens por salvaterra,lugar onde também,meu pai nasceu.É disso que precisamos,de sentir orgulhoso,de adquirir conhecimento,de ver nossa cultura somada a fatos que de verdade façam sentido e tenham muita importância.

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  4. O que chama muito minha atenção também é o fato de que não se observa comentários para esta notícia,salvo eu e a leitora Juliana,confirmando a tese de que o paraense pouco lê,ou busca conhecimento absorvendo mais cultura.Seria interessante,se o governo desenvolvesse pesquisas e criasse programas de incentivo à leitura.

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  5. “Ponte do Galo”, livro esgotado de Dalcídio Jurandir, ganha reedição e você pode contribuir e receber recompensas!


    A Editora Pará.grafo, de Bragança, lançou hoje, 07 de abril, a campanha de financiamento coletivo, pelo Catarse, para a reedição do livro "Ponte do Galo" do nosso maior romancista Dalcídio Jurandir. A boa notícia é que você pode ajudar a trazer este livro importantíssimo para nossa literatura de volta às livrarias e ao mesmo tempo à sua estante, pois adquirindo uma das recompensas descritas no projeto, você recebe o livro e outros itens (podendo ainda ter seu nome nessa edição histórica), além de contribuir diretamente para a cultura paraense e amazônica.

    O romance "Ponte do Galo", do escritor paraense Dalcídio Jurandir foi lançado em 1971 e nunca mais reeditado. Sétimo livro do chamado Ciclo do Extremo-Norte (conjunto de dez livros do autor que contam a saga de Alfredo, um menino de Cachoeira do Arari, no Marajó, que sonha em conhecer a cidade grande - Belém - e terminar seus estudos), o livro se tornou raro nas livrarias e mesmo nos sebos, onde não se encontra mais nenhum exemplar da primeira edição.

    O livro é dividido em duas partes que se passam em Cachoeira (Ilha do Marajó) e Belém, respectivamente, e narra a história de Alfredo, menino marajoara que sonha em ir para a cidade grande continuar seus estudos. Dalcídio explora na sua obra a região e seus habitantes, dando ênfase ao ser humano, seus medos, angústias, sentimentos e sobrevivência. É uma literatura que vai além do simples retrato da Amazônia. O autor revela outro mundo, das pessoas comuns de uma vila no meio de uma ilha e introspecções e desejos. São emblemas humanos que circundam a narrativa. Pela relevância e riqueza da sua literatura em retratar a Amazônia, seu povo e sua cultura, Dalcídio é dito estar para a sua região assim como Graciliano Ramos, Jorge Amado e Érico Veríssimo estão para as suas.

    Dalcídio Jurandir nasceu em Ponta de Pedras, Marajó, em 1909 e faleceu em 1979. Escreveu 11 (onze) romances - recebeu com eles o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra, em 1972 -, foi cronista dos principais jornais paraenses e brasileiros de sua época, e recebeu uma edição de suas poesias recentemente, organizada pelo professor e escritor Paulo Nunes, que inclusive assina o prefácio da nova edição de Ponte do Galo.


    Esta edição será ilustrada pela artista plástica e escritora paraense Paloma Franca Amorim e tem como capa uma fotografia do premiado Eliseu Pereira, jovem fotógrafo marajoara que já expôs suas obras no Museu do Louvre.

    Para saber mais detalhes sobre o projeto e colaborar com a iniciativa, basta acessar o site: www.catarse.me/ponte_do_galo e apoiar.

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